Mafra

Mafra já registrou mais de 40 casos de acidentes com animais peçonhentos este ano

Dor, sensação de queimadura, inchaço, vermelhidão, mancha roxa, bolhas e necrose. Esses são sintomas que a pessoa picada por aranha-marrom pode sentir após algumas horas. Em Mafra, a Vigilância Epidemiológica da Prefeitura alerta para os cuidados que a população deve tomar, a fim de evitar acidentes com aranhas e outros animais peçonhentos. “Os acidentes por animais peçonhentos são considerados um problema de saúde pública no Brasil, em virtude do elevado número de pessoas envolvidas anualmente, e também pela gravidade e complicações que podem apresentar”, explicou a enfermeira Francesli Pereira, da Vigilância Epidemiológica.

 

Dados

Segundo dados do SINAN/SC (Sistema de Notificação de Agravos de Santa Catarina), até o dia 03 de abril foram registradas 48 notificações de acidentes com animais peçonhentos incluindo aranhas (marrom ou armadeira) pelas unidades de saúde, Unidade de Pronto Atendimento e Hospital em Mafra. Em 2017 foram 212 e em 2016 chegou a 289 casos. Outro dado do relatório que chama atenção é que de 2007 a 2017 houve 9938 acidentes com aranha no Planalto Norte, o maior índice dentre as 16 regiões da saúde do Estado.

 

Com relação às picadas de aranhas existe uma preocupação em Santa Catarina de duas espécies: acidente por aranha do gênero Phoneutria “aranha armadeira” e Loxoceles “aranha marron”.  As duas tem comportamentos diferentes, bem como consequências distintas após a picada.

 

Aranha armadeira

O comportamento da aranha armadeira é de defesa, apoiando-se nas patas traseiras e procura picar. Pode atingir de 3 a 4 cm de corpo e até 15cm de envergadura de pernas. São muito agressivas com hábitos vespertinos e noturnos. São encontradas em bananeiras, folhagens, entre madeira e pedras empilhadas e no interior de residências. “Os acidentes são frequentes dentro de residências e nas suas proximidades, ao se manusear material de construção, entulhos, lenha ou calçando sapatos. Acidentes são mais observados em abril e maio (época de acasalamento) e raramente levam a quadro grave”, pontuou a enfermeira. Ela também falou quanto aos sintomas da picada. “A dor imediata é observada em mais de 90% dos casos, às vezes insuportável (dor excruciante), podendo se irradiar até a raiz do membro acometido”. Pode apresentar ainda edema não endurado, eritema, sudorese local, parestesia e a marca dos dois pontos de inoculação.

 

Aranha marrom

Já o acidente por aranha marrom é mais conhecido devido a sua picada necrosante. A aranha marrom tem hábitos noturnos. Aloja-se geralmente em locais quentes e secos: atrás de quadros, móveis, cortinas e rodapés, nas frestas em geral, sótãos e porões, em roupas penduradas, roupas de cama e banho e em locais poucos frequentados ou empoeirados. A técnica do Programa de Endemias da Vigilância Epidemiológica, Francieli Marx Köene, que também é bióloga, fez a seguinte observação: “para capturar presas e depositar seus ovos, a aranha marrom constrói teias irregulares, com aspecto de algodão esfiapado. Não é agressiva, picando somente quando se sente ameaçada ao ser pressionada contra o corpo da vítima, por exemplo”. Vale destacar que a picada da aranha marrom pode ser praticamente imperceptível, o que dificulta a identificação das circunstâncias do acidente. “Raramente a picada da aranha marrom forma lesão imediata. Os sintomas evoluem lentamente e nas primeiras horas lembram picada de inseto”. Depois de 12 a 14 horas ocorre um inchaço acompanhado de vermelhidão na região (edema e eritema, respectivamente), que pode ou não coçar. Também pode ocorrer escurecimento da urina e febre.

 

De acordo com a Francieli, a preocupação é com a evolução do quadro. “Em 99% dos casos, há dor em queimação, edema endurado e eritema no local da picada. Os sintomas se acentuam entre 24 e 72 horas após o acidente”.

 

Como prevenir o acidente

Os cuidados para evitar acidentes com aranha-marrom devem ser redobrados nos meses de chuva, pois as aranhas gostam de locais secos se refugiando dentro das residências. “A melhor forma de prevenção é a limpeza frequente das casas, nos locais onde a aranha costuma se esconder”, aconselharam Francesli e Francieli. Além disso, é importante seguir algumas dicas:

 

– observar roupas e calçados antes de vesti-los;

– vistoriar roupas de cama e banho;

– fazer limpeza periódica atrás de quadros e objetos pendurados; manter os ambientes ventilados; eliminar teias;

– evitar o acúmulo de materiais de construção e vedar frestas ou buracos nas paredes.

– não guardar objetos embaixo da cama;

– afastar as camas das paredes;

– manusear com cuidado telhas e tijolos acumulados.

Em caso de picada

– lavar o local apenas com água e sabão;

– levar a pessoa à unidade de saúde mais próxima ou à UPA;

– a pessoa deve beber bastante água;

– não colocar substâncias no local da picada.

 

O Estado de Santa Catarina mantém um plantão de informações 24 horas – o CIT (Centro de Informações Toxicológicas) pelo telefone 0800 643 52. O e-mail é citsc@saude.sc.gov.br / www.cit.sc.gov.br

 

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