Segundo relatos, a situação foi percebida há mais de uma semana, com uma coloração diferente da habitual em pontos do curso d’água.
A nova situação ocorre meses depois de a Represa São Lourenço ganhar destaque por outro episódio ambiental, o chamado “tapete verde”, provocado pela proliferação de plantas aquáticas. A eventual relação entre os problemas registrados anteriormente e a alteração observada agora ainda não foi estabelecida.
O que diz a Prefeitura?
Em nota, a Prefeitura de Mafra informou que uma equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano realizou uma vistoria após receber relatos sobre a alteração na coloração da água na região da Represa São Lourenço.
“Durante a vistoria, foi constatado que o curso d'água, no perímetro do aterro sanitário, apresentava coloração mais escura, com indícios de possível poluição hídrica”, informou o município.
A Prefeitura também comunicou a situação ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, responsável pelo licenciamento ambiental do aterro.
“Registros já foram encaminhados ao IMA, órgão responsável pelo licenciamento ambiental do aterro, e o relatório oficial da vistoria está sendo finalizado para encaminhamento e adoção das providências cabíveis”, diz a nota.
IMA realizou vistoria
Ao Riomafra Mix, o coordenador regional do Meio Ambiente do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) na unidade de Mafra, Jaironei Deretti, informou que técnicos responsáveis pelo processo estiveram no local na quarta-feira para realizar uma vistoria.
Com base no que foi verificado, os técnicos devem elaborar um relatório de fiscalização sobre a situação encontrada. O documento deverá reunir as informações levantadas durante a vistoria.
Ministério Público acionou a Justiça
O caso também chegou ao Ministério Público de Santa Catarina. Ao Riomafra Mix, a 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mafra informou que recebeu uma denúncia na segunda-feira (14), acompanhada de registros da situação.
“Esta Promotoria de Justiça recebeu a denúncia na segunda-feira, dia 14/09, acompanhada de vídeos e imagens”, informou.
Como já existe uma Ação Civil Pública proposta anteriormente pelo Ministério Público envolvendo problemas ambientais no local, a Promotoria levou a nova situação ao processo que tramita na 2ª Vara Cível da Comarca de Mafra.
“Considerando a possibilidade da denúncia estar relacionada à Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público anteriormente, foi requerido ao Juízo da 2ª Vara Cível desta Comarca, onde aquele processo tramita, a determinação de que o IMA realize vistoria no local dos fatos”, informou a Promotoria.
Segundo o Ministério Público, a medida busca verificar a existência de possíveis irregularidades e eventuais danos ambientais.
A vistoria foi solicitada “com a finalidade de averiguar eventual prática de infração penal e/ou administrativa, bem como dano ao meio ambiente, especialmente ao curso hídrico”.
Até o momento, não houve decisão judicial sobre o pedido. “No momento, o requerimento aguarda apreciação pelo Poder Judiciário”, concluiu o MPSC.
Relembre o caso do tapete verde
A Represa São Lourenço já havia chamado a atenção por problemas ambientais na em 2025, quando uma proliferação de plantas aquáticas tomou grande parte do reservatório e formou o cenário que ficou conhecido como “tapete verde”.
Na época, uma vistoria conjunta da Polícia Militar Ambiental (PMA) e do Consórcio de Desenvolvimento Econômico do Planalto Norte (Codeplan/Amplanorte) identificou a presença maciça da Salvinia molesta, uma planta aquática exótica invasora que chegou a cobrir cerca de 80% do espelho d’água.
O episódio passou a ser investigado pelo Ministério Público. Análises técnicas da PMA, CODEPLAN e IMA apontaram problemas na qualidade da água, incluindo níveis de coliformes termotolerantes e nutrientes acima dos limites legais.
A apuração resultou no ajuizamento de quatro ações civis públicas pelo MPSC contra a Celesc Geração S/A, responsável pela operação da CGH São Lourenço; o Serviço de Limpeza Urbana de Mafra (Seluma); a JBS/Seara Alimentos; o Município de Mafra; o Estado de Santa Catarina; e o IMA.
Entre as medidas requeridas pelo Ministério Público estão a interrupção de atividades apontadas nas ações como poluidoras, reparação de danos ambientais e intensificação das fiscalizações e análises da água.
É diante desse histórico que a Promotoria avalia a possibilidade de a nova denúncia estar relacionada à ação que já tramita na Justiça. A origem da alteração na coloração e do forte odor relatados agora, porém, ainda não foi determinada e depende das fiscalizações e demais apurações.
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