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Comandante da PM fala sobre queda da criminalidade em Rio Negro

Segundo o capitão Eduard Antonio Lemes, o trabalho de inteligência e o policiamento proativo trouxeram resultados positivos para a queda da violência no município.

14 de julho de 2020 · 11:01 · Atualizada em 14 de julho de 2020 · 11:01 · 6 min de leitura

O primeiro semestre de 2020 apresentou considerável queda no número de ocorrências por furto e roubo no município. Segundo dados do 28º Batalhão da Polícia Militar da Lapa, a Companhia em Rio Negro apresentou queda de 32% no registro de furtos no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2019. Já o número de roubos, situações que envolvem ameaça e violência contra as vítimas, apresentou redução de 72%.

 

Já as prisões por tráfico de drogas triplicaram no primeiro semestre de 2020, devido à realização de diversas operações policiais para combater este tipo de crime. Em entrevista ao Riomafra Mix, o comandante da PM em Rio Negro, capitão Paulo Eduard Antonio Lemes, falou sobre o trabalho que vem sendo realizado no município desde que assumiu o comando da companhia, em maio de 2019.

 

Rio Negro apresentou, em comparação ao primeiro semestre de 2019, considerável redução no número de furtos e roubos. Quais foram as principais mudanças realizadas no policiamento que oportunizaram essa redução?

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Adotamos um novo modo de trabalhar um policiamento proativo. A população precisa estar segura, mas também precisa se sentir segura. A análise estatística e georeferencial é uma das grandes ferramentas que temos para isso. Assim, eu posso dizer que o roubo se concentra no comércio, às vezes com o comerciante como vítima, às vezes com o cliente saindo do estabelecimento, durante o horário de comércio. Já o furto acaba vitimando as residências durante esse horário, quando as pessoas saem para trabalhar ou fazer compras, e o comércio e indústria durante a madrugada. Então precisamos tanto fazer aparecer o policiamento, quanto combater a ação delituosa, para baixar números e trazer sensação de segurança à população.

 

O número de roubos teve redução de 72% em comparação ao ano passado. Essa queda indica prisão de grupos organizados para realização desses crimes?

Pela minha experiência, a chamada regra de Pareto se aplica fortemente ao crime: Aproximadamente 80% dos delitos são cometidos por 20% do total das pessoas com passagem pela polícia. Contamos com um grande trabalho do nosso serviço de inteligência, integrando as informações que as radiopatrulhas repassam para identificação dos perpetradores de crimes. Com os possíveis autores identificados, vem o trabalho para efetuar a prisão deles em flagrante. Sobre o roubo de caminhonetes, por exemplo, descobrimos que havia um esquema onde eram roubadas, repassadas a um indivíduo que as vendia a troco de drogas, e utilizadas posteriormente para contrabando de cigarro e camarão. Todo esse esquema criminoso foi desbaratado.

 

A queda no número de furtos, em 32%, tem relação com as medidas de isolamento social e com um menor número de pessoas circulando pelas ruas e praças?

A difícil crise sanitária que enfrentamos trouxe problemas diferentes aos que estávamos enfrentando antes, e conseguimos esses números positivos nos antecipando ao que poderia ocorrer. Se as pessoas ficaram mais em casa, inibindo furtos a residências, tínhamos ao mesmo tempo uma área comercial esvaziada, com ruas desertas. Isso seria um facilitador para arrombadores, mas intensificamos o trabalho na prevenção desse crime, evitando que houvesse uma onda de furtos a comércio. O comerciante já estava purgando com o fechamento, não podíamos deixar que ele sofresse mais isso, e de fato, não ocorreu.

 

O cancelamento de festas e eventos em que de costume há aglomeração de pessoas, ajudou a reduzir o número de ocorrências no município?

As ocorrências de acidente de trânsito, rixas, dentre outras que a Polícia Militar de São Paulo costuma chamar de “desinteligências” tiveram uma baixa que naturalmente pode ser atribuída a isso. Mas quanto às condutas criminosas, vemos que foi resultado do trabalho policial no município. A pandemia não é, em geral, fator redutor de criminalidade, mas poderia, sim, provocar um aumento, que aqui não houve. Há mais gente circulando com dinheiro em espécie, recebendo o auxílio emergencial. Usuários de droga começam a ter dificuldade para conseguir meios de sustentar seu vício. A nível de estado, houve redução na ordem de 10% em crimes contra o patrimônio, um número positivo sem dúvida, mas longe dos alcançados em Rio Negro.

 

Ainda sobre furtos, na sua opinião, é um tipo de crime que pode aparecer menos nas estatísticas devido à falta de comunicação à polícia?

O cadastro continua ocorrendo, com ou sem pandemia. Houve a restrição de atendimento na sede, por medida sanitária preventiva, mas os crimes contra o patrimônio dificilmente são registrados na unidade, quase na totalidade são cadastrados no local do fato, mediante atendimento solicitado via 190.

 

No tocante a furtos e roubos, há algum bairro ou região da cidade que ainda inspire mais cuidados?

Embora exista uma baixa expressiva dos números, não percebemos grandes migrações de locais ou horários, apesar dos números de roubo, por exemplo, estarem em patamares que já deixam de ser estatisticamente relevantes. Então, apesar de pequenas adaptações, o trabalho segue no mesmo trilho.

 

As prisões por tráfico de drogas triplicaram no primeiro semestre deste ano. Quais fatores contribuíram para que houvesse aumento desta estatística?

O levantamento de inteligência foi muito importante para este número. Com a redução nas solicitações por ocorrências não delituosas, as equipes da radiopatrulha tiveram mais tempo para incursões a abordagens, isso também influiu muito. Finalmente, desde o ano passado temos investido mais no policial, melhorando tanto o ambiente físico da companhia, como buscando integrar e motivar o efetivo. A polícia não é um prédio, uma viatura ou mesmo o comando. Tudo isso pode sumir, e o serviço continuará sendo feito, de algum jeito. A polícia é feita da sua tropa, a quem eu agradeço a dedicação que proporcionou esses números tão positivos.

 

Quais foram as ocorrências mais incidentes no primeiro semestre deste ano?

Embora tenha reduzido muito, ainda lideram nossos atendimentos as ocorrências de ameaça e vias de fato. Brigas, de vizinho, entre familiares. Se as pessoas convivessem melhor, teríamos mais tempo para cuidar da segurança delas.

 

Na sua opinião, o policiamento ostensivo vem ajudando a reduzir a criminalidade na cidade?

Sim, mas aliado a toda essa estratégia, que é um policiamento proativo, executado de maneira inteligente. A redução, a nível de estado, seguiu a tendência de queda. Porém a queda acentuada aqui não pode ser atribuída à pandemia.

 

Rio Negro sofre historicamente com a falta de efetivo para policiamento, situação que fica mais evidente quando se compara à cidade vizinha, que possui uma Guarnição Especial e com isso mais estrutura. Mesmo assim, Rio Negro vem conseguindo bons resultados no combate à violência. Quais ações ou projetos poderiam ser executados para redução da criminalidade, caso houvesse mais policiais no município?

A questão de efetivo é uma das grandes preocupações. Recebemos pelo próprio portal Riomafra Mix a notícia que haveria transferência de efetivo para março, o que não se concretizou. Há um peso mais político que técnico na distribuição de efetivo. E com o adiamento do concurso devido à pandemia, a expectativa de ao menos remediar esse problema fica ainda mais longe. Com mais policiais nas ruas, sem dúvida poderíamos melhorar a prevenção aos delitos.

 

O senhor responde pelo comando da Companhia o primeiro semestre de 2019. Há pouco mais de um ano à frente dos trabalhos, quais os principais avanços da corporação no combate ao crime e quais desafios se apresentam no momento?

Os números falam por si. Precisamos consolidar esse resultado, que já é compatível com cidades até menores que Rio Negro; a meta tem que ser melhorar. O bom é inimigo do ótimo.

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