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sábado, 26 de setembro de 2026
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Denúncia ao CRM expõe atrasos em pagamentos de médicos no Hospital Bom Jesus

Justificativas apresentadas aos médicos e manifestações obtidas com exclusividade pelo Riomafra Mix revelam divergências sobre os atrasos.

22 de junho de 2026 · 18:34 · 5 min de leitura · Rio Negro

Foto: Robson Komochena

 

A mudança na gestão do Hospital Bom Jesus, em Rio Negro, realizada em março deste ano com a chegada do Instituto Maria Schmitt (IMAS), tinha como objetivo auxiliar na recuperação financeira e na reestruturação dos serviços da unidade.

 

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Quatro meses depois, médicos continuam enfrentando atrasos no pagamento de honorários, o que motivou uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR).

 

A situação, levantada com exclusividade pelo Riomafra Mix, reacende discussões sobre a situação financeira do hospital e revela divergências entre a associação mantenedora, a atual gestão e as justificativas apresentadas aos profissionais.

 

A denúncia foi protocolada com base na Resolução CRM-PR 256/2026 e na Resolução CFM 2.462/2026, normas que tratam especificamente da inadimplência remuneratória de médicos e estabelecem procedimentos administrativos e possíveis sanções às instituições responsáveis pelos pagamentos.

 

Segundo o documento encaminhado ao CRM, os médicos que atuam por meio de pessoa jurídica passaram a enfrentar atrasos nos honorários ainda no início de 2026. A denúncia afirma que o pagamento referente aos serviços prestados em janeiro não foi quitado no prazo contratual e que a situação se repetiu nos meses seguintes.

 

O documento reproduz, inclusive, mensagens encaminhadas aos profissionais informando cronogramas de pagamento e parcelamento dos débitos.

 

Hospital admite atrasos

Procurado pela reportagem, o diretor do Hospital Bom Jesus, Rafael Schroeder, confirmou a existência de pagamentos em atraso.

 

“Sim”, respondeu ao ser questionado se havia débitos pendentes com os médicos.

 

Segundo ele, não há como precisar os valores ou as competências em atraso devido às diferenças entre os contratos firmados com os profissionais.

 

“Com relação às competências é relativo devido aos contratos serem a maioria independente. Não tem como passar com precisão visto a diferença de vencimentos e valores”, disse.

 

Questionado sobre o valor total devido aos profissionais, Rafael afirmou que os números foram apresentados à associação mantenedora. “Esses valores foram repassados à associação, não tenho autorização para divulgação dos mesmos”, ressaltou.

 

O diretor também afirmou que não foi oficialmente notificado sobre a denúncia. “Estamos aguardando ser oficiado, pois não temos conhecimento de quem está movendo a ação”.

 

Ainda segundo ele, a atual gestão herdou problemas financeiros anteriores. “Cabe relembrar que desde que o IMAS assumiu, já existiam ações de cobrança em curso”, concluiu.

 

Schroeder atribui a situação à condição financeira da instituição. “Não é de hoje que todos sabem a situação financeira que o hospital se encontra há algum tempo, com dívidas e processos”, acrescentou.

 

Ele também citou a redução dos atendimentos e a perda de receitas, entre elas, por parte da Prefeitura. “Desde que foi cancelado o convênio da Prefeitura o hospital passa por dificuldades, e com o baixo número de atendimentos que vinha realizando, acabou que os recursos de outras esferas também foram diminuindo. Se não tem paciente, não tem recurso”, explicou.

 

O diretor afirmou que a recuperação depende da habilitação de novos serviços. “Estamos aguardando sair o novo CNES do hospital para fechar novos contratos com o Estado e União. Estamos em busca de credenciamento para diversos programas disponíveis tanto estadual quanto federal”.

 

Segundo ele, o trabalho de recuperação financeira é gradual. “Primeiro você atende, mostra que tem capacidade, depois recebe. Então é isso que iremos fazer”, disse.

 

Ainda, de acordo com o diretor, desde o início da gestão pelo IMAS, foram aportados R$ 1.123.518,03 para garantir a continuidade das atividades hospitalares.

 

Mensagem aos médicos citou contrato com a Prefeitura

 

Apesar da posição atual da direção, uma mensagem encaminhada aos médicos em um grupo de WhatsApp, reproduzida inclusive na denúncia ao CRM, informava que o pagamento parcial das notas teria ocorrido devido a “atrasos em relação ao contrato com a prefeitura”.

 

A mensagem dizia: “Em conversa com o atual diretor do HBJ, o mesmo nos comunicou que devido a atrasos em relação ao contrato com a prefeitura, a nota referente ao mês de abril será paga apenas parcial.”

 

Ainda segundo o texto: “Infelizmente essa situação foge do nosso controle pois dependemos do repasse do hospital para o pagamento de todos”.

 

Prefeitura nega qualquer débito

A Prefeitura de Rio Negro afirmou que não possui débitos com o Hospital Bom Jesus.

 

Em nota, a Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral declarou:

 

“A Prefeitura de Rio Negro, através da Secretaria Municipal de Saúde, informa que não existem débitos pendentes ou em atraso com o HBJ, e que todos os convênios, contratos e fomentos foram honrados dentro do prazo estabelecido para pagamento”, destacou.

 

A manifestação da Prefeitura contrasta com a justificativa apresentada aos médicos na mensagem encaminhada ao grupo de WhatsApp.

 

O que diz o CRM?

O Conselho Regional de Medicina do Paraná informou que denúncias envolvendo inadimplência são analisadas individualmente:

 

“Após o recebimento da denúncia, o CRM-PR realiza a análise dos fatos apresentados e dos documentos encaminhados, com o objetivo de verificar a existência da inadimplência e identificar os responsáveis pela contratação e pagamento dos serviços médicos “, diz a nota.

 

O conselho informou ainda que, constatada a inadimplência, poderão ser adotadas as medidas previstas na Resolução 256/2026.

 

A norma considera que atrasos superiores a 30 dias podem caracterizar grave falta de condições de trabalho.

 

O CRM também confirmou que, em determinadas situações, médicos podem deixar de assumir novas escalas e plantões, desde que sejam observados os procedimentos e comunicações previstos na regulamentação.

 

“A Resolução CRM-PR 256/2026 prevê que, em determinadas situações de inadimplência, o médico poderá deixar de assumir novas escalas ou plantões”, destacou.

 

O órgão também informou que já recebeu outras comunicações relacionadas ao tema desde a entrada em vigor da norma, mas não comenta casos específicos em razão do sigilo dos procedimentos.

 

Veja a denúncia na íntegra e as resoluções do CRM

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