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Em casa e isolados, idosos vivem expectativa pelo fim da quarentena

Idosos riomafrenses contam como superam o isolamento social imposto pela covid-19
08/06/2020 11:43Atualizada em 08/06/2020 11:43
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Após o início da pandemia do coronavírus houve aumento de quase 50% nos casos de depressão e de 80% nos casos de ansiedade no Brasil. O estudo é da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e demonstrou que pessoas que não convivem com crianças ou idosos têm mais chances de desenvolver depressão no período do isolamento social.

 

O isolamento social também deixa os idosos mais vulneráveis à depressão. Além do medo relativo à sua própria saúde e de seus familiares, a situação de quarentena também pode levar pacientes da terceira idade a despertar sentimentos como estresse, ansiedade, tristeza e solidão. Em entrevista ao Riomafra Mix, idosos riomafrenses contaram como buscam superar este momento de incertezas e isolamento social.

 

Expectativa

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Com dois bisnetos a caminho, a viúva Neusa Elias Wolf sente um misto de ansiedade e saudade. Desde o início do isolamento social, ela tem contato frequente apenas com um dos seus cinco filhos, que mora na casa vizinha à sua. “Ele manda mensagem, pergunta se preciso de alguma coisa, depois bate no portão pra entregar”, explica.

 

“O isolamento é algo que eles precisam fazer para demonstrar que me amam e cuidam de mim”, reforça a moradora do Bairro Bom Jesus, que se acostumou a ter a casa sempre cheia desde que perdeu o marido, há 10 anos. Além da visita frequente dos filhos e netos, ela também recebia um grupo de amigas em casa durante a semana e trabalhava como benzedeira das crianças da vila. “Antes eu mandava em todos os filhos, agora sei que eles têm que cuidar de mim e ficar distantes, mas me sinto muito só, nunca fiquei tão sozinha. Ás vezes eu choro”, diz emocionada. “Faço direitinho tudo que meus filhos pedem”, reforça.

 

Neusa Elias Wolf sente um misto de ansiedade e saudade. 

 

Um passatempo que traz conforto à aposentada são as atividades em tricô e crochê. Ela conta que mantém o foco nos trabalhos manuais que são destinados a doação para superar o sentimento de solidão. O isolamento adotado por Dona Neusa é tão regrado que, segundo ela, ainda não teve oportunidade de ver como ficou o mundo ‘lá fora’ depois da adoção das medidas de proteção. 

 

Por enquanto, o contato com os amigos e familiares acontece apenas através das redes sociais. “Minha esperança  é que até agosto ou setembro quando o primeiro bisnetinho chegar isso tudo já tenha acabado, tenho fé em Deus que vai acontecer”, comenta. 

 

Fé em Deus e muito cuidado

“Assisto bastante à TV, mas você tem que procurar entender e buscar conteúdos realmente importantes”, diz o aposentado Juarez Adalberto Moreira, de 65 anos, que mora no bairro Saltinho do Canivete. Ele pertence ao grupo de risco não somente devido à idade, mas também porque já teve problemas cardíacos, pneumonia e meningite.

 

A presença da companheira ajuda Juarez a lidar com o isolamento social. “Meu dia a dia é lidar no quintal, dar uma caminhada no mato e cuidar dos cachorros”, conta. Antes da adoção das medidas que levaram ao isolamento social, ele diz que costumava receber a visita de parentes e viajar com frequência. Agora, os cuidados familiares vêm da sobrinha, que mora em Major Vieira. “Minha sobrinha faz contato todo dia para saber como estou e assim vamos mantendo contato”, relata.

 

Sobre os cuidados com a saúde, Juarez conta que tenta sair de casa apenas uma vez por mês, quando precisa realizar compras ou algum serviço bancário. “Eu não tenho medo, tenho muita fé em Deus e sigo os cuidados bem certinho, falo sempre com a agente de saúde também”, afirma. Para ele, o contentamento vem da gratidão em poder neste momento ter saúde e continuar com as pequenas tarefas diárias. “Espero que tudo volte ao normal logo, que as pessoas possam retomar sua vida, seu trabalho e ter saúde”, reforça.

 

Já o aposentado José Celeste Ferreira da Silva, de 64 anos, conta que tem receio de acabar ficando doente e por isso, abandonou a atividade de pedreiro que ainda exercia para ficar em casa. “As pessoas que não se cuidam deviam pensar mais nas outras, não apenas em si mesmas”, argumenta. 

 

Segundo ele, a partir da interrupção da ‘vida normal’, a filha se tornou a responsável pelas tarefas que exigem sair de casa. “Não fico sozinho, mas espero que tudo isso acabe logo e por enquanto estou em casa” reforça.

 

José abandonou a atividade de pedreiro que ainda exercia para ficar em casa.

 

Isolamento não significa solidão

A Geriatra Maisa Kairalla e autora do blog Chegue Bem explica que, apesar da importância em manter-se atualizado com as notícias a respeito da Covid-19, é importante que os idosos não fiquem focados exclusivamente em saber sobre a doença.

 

Dentre as dicas para que o tempo de isolamento seja bem aproveitado, a profissional recomenda atividades como ler livros e assistir filmes. Para que todos possam se manter ativos, ela também orienta a realização de atividades físicas dentro de suas limitações, mesmo que estas sejam realizadas dentro de casa. “Prepare suas receitas na cozinha, aprenda e arrisque novos pratos”, acrescenta.

 

Outro aspecto importante do isolamento social segundo a geriatra, é que ele não precisa significar solidão. Por isso, esta é uma boa oportunidade para se aprender a utilizar as redes sociais, aplicativos de mensagens e chamadas em vídeo para matar as saudades de amigos e familiares. Manter a espiritualidade ativa também ajuda a lidar melhor com o distanciamento social. “Independentemente da sua crença, procure meditar, orar ou rezar. Estudos apontam que pessoas que nutrem alguma crença têm um melhor equilíbrio na conexão entre mente e corpo, são mais positivas e reagem melhor a problemas e adversidades”, afirma.

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