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terça-feira, 13 de outubro de 2026
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Há 80 anos no ar, Rádio Difusora faz parte da história de Rio Negro e Mafra

Jornalismo, prestação de serviços, música e esporte marcaram a trajetória da emissora, que hoje transmite em FM 107.3.

13 de outubro de 2026 · 16:07 · 4 min de leitura · Rio Negro

Gari Vinicio, responsável pela emissora e o locutor Fábio André Lang. Fotos: Robson Komochena

 

A Rádio Difusora de Rio Negro completa 80 anos nesta terça-feira (13). Inaugurada em 1946, a emissora construiu uma trajetória ligada à vida de Rio Negro e Mafra, com jornalismo, prestação de serviços, música, esporte e espaço para artistas da região.

 

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Conhecida como a “rádio da comunidade”, a Difusora acompanhou transformações das duas cidades e esteve presente em momentos marcantes, como as enchentes de 1983 e 1992. Atualmente, transmite na frequência FM 107.3, resultado da migração que encerrou mais de sete décadas de atuação na faixa AM.

 

Apesar de digital, a emissora preserva grande acervo de discos de vinil. Foto: Divulgação

 

Os primeiros anos

A emissora começou suas atividades com o nome Rádio Rio Negro AM e o prefixo ZYG9, que deu origem à identificação G9. O projeto foi articulado por Manoel Machuca e Abílio Holzmann e integrava a Rede Paranaense de Emissoras.

 

A autorização oficial foi concedida por uma portaria de 4 de julho de 1945. A inauguração ocorreu no ano seguinte, com transmissão na frequência de 970 quilohertz e potência de 250 watts.

 

Segundo o histórico da rádio, a escolha de Rio Negro tinha caráter estratégico. Além da localização na divisa entre Paraná e Santa Catarina, a cidade fazia parte de um importante entroncamento rodoferroviário, com perspectivas de crescimento do comércio e da indústria.

 

Os primeiros estúdios funcionavam na rua Getúlio Vargas, no Centro de Rio Negro, perto da Praça João Pessoa. O parque de transmissores ficava na localidade conhecida como Pirambeira. Na época, a rádio utilizava o slogan A Líder do Seu Lar.

 

Antiga sede, na rua Getúlio Vargas.

 

A trajetória de Álvaro de Aquino

Um dos principais nomes da história da Difusora foi Álvaro de Aquino, que chegou a Rio Negro em janeiro de 1958, depois de trabalhar na Rádio Cultura, em Curitiba.

 

Sua atuação marcou a programação e a administração da emissora. Em 1976, ele se associou a João Carlos Aguiar e passou a integrar a sociedade. Em 1984, adquiriu as cotas da família Aguiar, consolidando o controle da rádio com a própria família.

 

Sede própria, até hoje, na esquina entre as ruas Bom Jesus e Expedicionário Adir Jorge. Foto: Divulgação

 

Antes disso, em 1962, a empresa passou a se chamar Rádio Difusora de Rio Negro. Em outubro de 1968, inaugurou sua sede própria na Rua Bom Jesus, com estúdio e auditório para apresentações ao vivo.

 

Com a morte de Álvaro, em 1990, a sociedade passou por uma reorganização. A coordenação da emissora ficou sob responsabilidade de Gari Vinicio Kiatkoski, que atuava no jornalismo da rádio desde 1982.

 

Álvero de Aquino.

 

Informação durante as enchentes

Entre os episódios mais marcantes da trajetória estão as coberturas das enchentes de 1983 e 1992. Nas duas ocasiões, a sede foi parcialmente atingida pela água, mas a emissora manteve a transmissão de informações.

 

Conforme o histórico, durante a enchente de 1983, a rádio se tornou um dos principais meios de comunicação entre autoridades e moradores, especialmente nas comunidades do interior que ficaram isoladas.

 

A prestação de serviços também incluiu avisos, divulgação de pessoas desaparecidas e apoio a ações comunitárias.

 

 

Programas e vozes que marcaram gerações

A programação reuniu atrações que permaneceram na memória dos ouvintes, como Hora do Chimarrão, Rancho do Coronel Silveira e Informativo Souza Cruz.

 

Apresentado por Arlindo Cardoso, o Informativo Souza Cruz ficou conhecido pela saudação prolongada aos ouvintes na abertura, pela música, pelos avisos e pela leitura de cartas. Segundo o histórico, o programa permaneceu no ar por mais de 60 anos.

 

 

A Ave Maria, às 18 horas, marcou a trajetória de Ancila Muniz. Os programas de auditório e as radionovelas também tiveram espaço, com apresentações ao vivo e participação do público.

 

A emissora recebeu artistas como Tonico e Tinoco, Luizinho, Limeira e Zezinha e Mário Zan, além de abrir seus microfones para talentos locais. No esporte, acompanhou equipes como Peri, Operário e Mafra Futsal.

 

LPs de vinil, preservados até hoje.

 

Do AM para o FM

Uma nova etapa começou em 2019, quando a Difusora recebeu autorização para migrar para a frequência modulada.

 

A transmissão em FM 107.3 começou em dezembro de 2020. Em janeiro de 2021, o canal AM, que operava na frequência de 1340 quilohertz, foi desligado definitivamente.

 

Oito décadas depois da inauguração, a história da Difusora se confunde com a de gerações de moradores que encontraram no rádio informação, companhia e uma forma de participar da vida da comunidade.

 

Emissora também preserva acervo em CDs, que marcaram a década de 90.

 

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