Jéssica Machado

A psicóloga aborda saúde mental, autoestima, autoconhecimento, sexualidade e amor próprio.

De onde venho e para onde vou?

Depois de adulto tudo parece ser decisão de vida ou morte e se mostrar vulnerável deixa de ser uma opção viável.

Foto: Divulgação

 

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Muitos são os questionamentos e não há o que se discutir sobre isso, ocorre que na adolescência é quando buscamos nossa tribo, algo ou alguém com o qual conseguimos nos identificar.

 

Falando assim parece uma grande bobagem, mas admita que você também tem ou já teve a sua tribo, sejam os deslocados, aqueles que amam música de determinado estilo ou odeiam algo tanto quanto você, os que gostam de ler, os que gostam de sair, os que gostam de viver e até mesmo os que vivem trancados.

 

Costumo dizer que viver não é fácil, mas viver na adolescência parece ser sofrimento elevado à décima potência. Parece que esquecemos disso depois de determinada idade e passamos a banalizar tudo pertinente a esse universo, as amizades, o estilo musical, o modo de se vestir, os grupos, as rejeições e as paixões.

 

Sim, paixões, afinal não há período mais gostoso para se apaixonar do que na adolescência, aliás é uma das coisas que mais sinto falta desse período, o se apaixonar e se jogar sem colocar na mesa um caminhão de variáveis a se considerar antes de decidir por tentar ou não ficar com quem se gosta. Depois de adulto tudo parece ser decisão de vida ou morte e se mostrar vulnerável deixa de ser uma opção viável.

 

Complexo, eu sei, por isso não tenha pressa de crescer. Mesmo que seus problemas sejam difíceis de lidar ou até mesmo que pareçam impossíveis, tenho certeza de que encontrará um meio termo. Sei que descobrirá não apenas como resolver, mas também como aprender algo com isso, nem que só vá perceber uns anos mais à frente.

 

Enquanto escrevia esta coluna pensei o quanto era bom ser adolescente, ao mesmo tempo, me surpreendi com o pensamento, pois lembro bem que na época não achava a menor graça, rezava para que chegasse aos 18. Hoje aos 30, percebo que vivi e não to nem aí por esses 30, pois os 29 anos vividos antes dele foram intensos, cada qual a sua própria maneira.

 

Brinquei de boneca, soltei pipa, joguei bolinha de gude. Vivi a época da internet discada e do orelhão de ficha… Tive minha primeira paixão, a segunda, a terceira. Saí pouco, beijei na boca, dancei até que as pernas ficassem doloridas. Descobri o amor e que nem sempre o amor é algo bom, principalmente quando não é correspondido.

 

Machuca muito, mas amei pela primeira, pela segunda e finalmente pela terceira vez e assim sigo até hoje, amando muito aquele se tornou meu companheiro de vida, amando minha família e, principalmente, amando minha filha.

 

Então não se preocupe, existe um momento para tudo, não sei se o seu terceiro amor será o que mais irá durar ou se terá apenas um ou quem sabe dez. O importante é viver o agora e deixar o amanhã para depois, pois ter lembranças é algo maravilhoso. Lamentar o que não fizemos já não é tão agradável assim.